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Como saber se o valor cobrado pelo convênio bate com o que foi realizado na cirurgia antes de aceitar o repasse

Equipe MedShare 4 min de leitura
Ilustração do artigo: Como saber se o valor cobrado pelo convênio bate com o que foi realizado na cirurgia antes de aceitar o repasse

Você vai aceitar o repasse sem conferir? Esse é o erro mais caro do bloco

O hospital manda o demonstrativo, o valor cai na conta e você segue para a próxima cirurgia. Parece certo. Mas quantas vezes o que o convênio pagou realmente bateu com o que você realizou na mesa?

A resposta honesta, para a maioria dos cirurgiões e anestesistas que atuam como frila, é: quase nunca alguém confere de verdade.


Por que a diferença entre o cobrado e o realizado é tão comum

O convênio audita, gloса e aplica reduções antes de liberar o repasse. O problema é que esse processo acontece longe dos seus olhos, entre o hospital e a operadora, e você recebe o resultado final sem contexto.

As causas mais frequentes de divergência são:

  • Procedimento realizado não consta na guia enviada pelo hospital
  • Código TUSS lançado errado, seja por erro da equipe de faturamento ou por desatualização da tabela
  • Porte cirúrgico subcodificado, o que reduz o valor base do honorário
  • Acréscimos por porte anestésico ignorados no cálculo do repasse
  • Coparticipação descontada sem comunicação prévia

Cada um desses pontos pode significar centenas ou até milhares de reais a menos no seu bolso, por cirurgia.


O que você precisa ter em mãos antes de aceitar qualquer valor

Antes de assinar mentalmente que o repasse está correto, você precisa cruzar quatro informações:

  1. O procedimento principal e os secundários que você efetivamente realizou, com os respectivos códigos (TUSS ou CBHPM)
  2. A guia que o hospital enviou ao convênio, confirmando que tudo que você fez foi de fato faturado
  3. O demonstrativo de pagamento do convênio, que detalha o que foi aceito, o que foi glosado e qual valor foi liberado
  4. A tabela de honorários vigente para aquele convênio específico, que determina o valor de referência para cada código

Sem esses quatro elementos juntos, você está aceitando um número no escuro.


Como consultar se o código e o valor fazem sentido

Um ponto que muitos médicos pulam é a verificação do próprio código antes de qualquer contestação. Se você não sabe qual valor o convênio deveria pagar para determinado procedimento, fica difícil saber se foi prejudicado.

Para isso, o Buscador de TUUS é um recurso gratuito útil para consultar rapidamente códigos de procedimentos e ter uma referência de valor antes de entrar em qualquer discussão com o hospital ou a operadora.

Não resolve tudo, mas já elimina o tempo perdido tentando lembrar se aquele código estava certo ou procurando tabela em PDF desatualizado.


O processo de conferência na prática: simples, mas precisa ser feito

Você não precisa de um departamento financeiro para fazer isso. Precisa de um processo repetível.

Passo a passo mínimo antes de aceitar o repasse:

  1. Registre o procedimento realizado logo após a cirurgia, ainda no hospital ou no caminho para o próximo
  2. Anote o código principal, os secundários e o porte anestésico quando for o caso
  3. Quando o demonstrativo chegar, compare linha por linha com o que você registrou
  4. Identifique qualquer procedimento ausente ou valor abaixo do esperado
  5. Se houver divergência, reúna evidências e acione o hospital antes do prazo de recurso do convênio

O timing importa. Convênios têm prazo para recurso de glosa. Deixar para depois muitas vezes significa perder o direito de contestar.


O que torna esse processo difícil na rotina real

O problema não é a lógica, que é simples. O problema é a execução quando você está entre um plantão e outro, sem secretária, resolvendo tudo pelo celular.

Sem um registro centralizado das cirurgias, você vai tentar lembrar de cabeça o que fez há três semanas quando o demonstrativo chegar. E memória em rotina de frila é a ferramenta mais cara e menos confiável que existe.

Planilha no Google Drive, foto da guia no WhatsApp e áudio para si mesmo não são sistema. São gambiarras que falham exatamente quando o valor errado entra na conta.


Registro na hora certa é o que separa quem contesta de quem aceita calado

A conferência real começa no momento em que você sai do bloco, não quando o pagamento cai.

Quem registra o procedimento, o convênio e o valor esperado imediatamente depois de cada cirurgia tem tudo que precisa para comparar quando o demonstrativo chegar. Quem não registra depende de sorte e boa fé do faturamento do hospital.

A diferença entre esses dois médicos, ao longo de um ano, pode ser equivalente a várias cirurgias não pagas.


Confira cada repasse com os dados certos na mão, sem depender de memória ou planilha. Registre suas cirurgias e compare honorários em segundos direto do celular com o MedShare.

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