Como revisar o faturamento de um convênio antes de assinar o recibo de repasse quando você está entre um plantão e outro e não tem secretária para conferir
Você recebeu o recibo. O próximo plantão começa em 40 minutos. O que você faz?
A cena é conhecida: você está no vestiário, ainda com a roupa do bloco, quando o coordenador do convênio manda o PDF do repasse no WhatsApp. “Assina aí e me devolve.”
Você não tem secretária. Não tem tempo. E a sensação de que algo pode estar errado bate antes mesmo de abrir o arquivo.
Assinar sem conferir é perder dinheiro sem nem saber quanto.
Por que revisar antes de assinar é uma questão de sobrevivência financeira
Convênios erram. Às vezes por falha no sistema, às vezes por glosa não comunicada, às vezes por uma tabela desatualizada que ninguém avisou que mudou.
O problema é que, depois que o recibo é assinado, contestar um valor se torna muito mais difícil. Você entra em um ciclo burocrático que consome tempo que você não tem.
Cada cirurgia com repasse menor do que o devido é dinheiro que não volta.
O que você precisa conferir, em ordem de prioridade
Você tem pouco tempo. Então vá direto ao ponto, nessa sequência:
1. Quantidade de procedimentos listados
- O número de cirurgias no repasse bate com o que você realizou no período?
- Algum procedimento sumiu da lista?
2. Código e descrição de cada procedimento
- O convênio cobrou pelo código certo ou fez uma troca (downcoding) para um procedimento mais simples e mais barato?
- Quando o assunto é código de procedimento cirúrgico, o Buscador de TUSS é um recurso gratuito útil para checar rapidamente se o código no recibo corresponde ao que foi realizado.
3. Valor unitário por procedimento
- O valor pago por cada ato corresponde ao que está previsto no seu contrato com o convênio ou na tabela de referência (CBHPM, TUSS, AMB)?
- Reduções unilaterais de valor são uma forma silenciosa de glosa.
4. Percentual do honorário do cirurgião ou anestesista
- Nos repasses de equipe, verifique se o percentual que chegou até você corresponde ao que foi combinado internamente.
- Essa é uma das maiores fontes de conflito em grupos descentralizados.
5. Descontos e glosas informadas
- O convênio aplicou algum desconto? Ele está justificado e documentado no demonstrativo?
- Glosa sem justificativa é contestável. Mas só se você perceber antes de assinar.
A armadilha do PDF em 40 linhas enviado no grupo do WhatsApp
Demonstrativos de convênio não foram feitos para serem lidos no celular em 5 minutos.
São PDFs densos, com colunas apertadas, abreviações técnicas e valores que só fazem sentido se você tem o contrato na memória.
Sem uma ferramenta de organização, você vai comparar o que chegou agora com o que está na sua cabeça, ou com uma planilha desatualizada salva na nuvem que você abre, fecha e nem lembra mais o que quis dizer.
É exatamente aí que o erro passa sem ser visto.
O que fazer quando o tempo é curto e você precisa decidir agora
Se você não tem como fazer uma revisão completa antes de assinar, siga esse protocolo mínimo:
- Confira o total bruto. Você tem uma estimativa de quanto deveria receber. O total bate com essa expectativa ou está bem abaixo?
- Conte os procedimentos. 10 cirurgias realizadas, 10 na lista? Se o número não fechar, pare tudo.
- Verifique se há linha de “glosa” ou “desconto”. Se tiver, exige justificativa antes de assinar.
Se algo não fechar, peça um prazo de 24 horas para análise. Coordenador sério entende. E o que não entende, esse é o sinal de um problema maior no relacionamento com aquele convênio.
O problema real não é a pressa. É a falta de registro
Você só consegue conferir um repasse com segurança se tiver registrado o que fez.
Data da cirurgia, hospital, procedimento realizado, convênio, valor esperado. Se isso não está registrado de forma organizada no momento em que você recebe o demonstrativo, a revisão vira um exercício de memória.
E memória falha, especialmente depois de uma madrugada de plantão.
Médicos que mantêm o registro contínuo da produção, procedimento por procedimento, conseguem contestar glosas com dados concretos e não ficam reféns do demonstrativo enviado pelo convênio como única fonte da verdade.
A lógica é simples: quem controla o registro controla a contestação
O convênio tem o sistema dele. Você precisa ter o seu.
Não para criar mais burocracia, mas para ter um espelho do que foi feito. Um registro que você alimenta em 30 segundos depois de cada cirurgia, direto do celular, e que fica disponível na hora em que o PDF chega no WhatsApp.
Com isso, a revisão deixa de ser uma loteria e passa a ser uma comparação objetiva.
Revisar um repasse sem registro próprio é sempre uma desvantagem. O MedShare foi criado para resolver exatamente isso: você registra sua produção no celular, em segundos, e tem os dados na mão quando o recibo chega.
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