Como criar um modelo de proposta de honorários cirúrgicos para enviar ao hospital antes da cirurgia quando você é autônomo e não tem assessoria jurídica
Você acabou de fechar uma cirurgia particular. E agora?
O hospital pediu uma proposta de honorários antes de confirmar o procedimento. Você não tem secretária, não tem advogado, não tem assessoria de nenhum tipo. Tem o celular, o grupo do WhatsApp e a cirurgia de amanhã cedo.
Esse cenário é mais comum do que parece, e a falta de um documento formal nesse momento custa dinheiro de verdade: valores negociados na boca que somem na memória, glosas que aparecem semanas depois e repasses que chegam errados ou simplesmente não chegam.
Por que o hospital exige uma proposta antes da cirurgia?
Hospitais particulares e clínicas que operam no modelo particular ou de saúde suplementar precisam registrar o valor acordado com a equipe cirúrgica antes de autorizar o procedimento. Sem isso, o pagamento fica à discrição do financeiro deles, e o critério costuma ser o mais barato possível.
Ter uma proposta assinada, mesmo que simples, é a diferença entre receber o que combinou e descobrir três semanas depois que te pagaram menos sem nenhuma explicação.
O que precisa constar em uma proposta de honorários cirúrgicos
Você não precisa de dez páginas nem de linguagem jurídica. Precisa de clareza. O documento deve cobrir:
- Identificação do profissional: nome completo, CRM, especialidade e CPF ou CNPJ se você emite nota fiscal como pessoa jurídica
- Identificação do procedimento: nome do ato cirúrgico, código na tabela usada (CBHPM, TUSS ou AMB) e data prevista
- Valor dos honorários: discriminado por participante quando houver equipe, com o valor total e o valor de cada membro
- Condição de pagamento: prazo esperado após a realização da cirurgia e a forma de pagamento (TED, PIX, etc.)
- Base da cobrança: se o valor é fixo ou percentual sobre a tabela de referência adotada pelo hospital
- Responsável pelo repasse: se o hospital paga direto cada membro ou se paga para um deles redistribuir
Esse último ponto é onde mora boa parte da confusão. Definir quem recebe e quem repassa, antes do procedimento, elimina o ciclo de cobrança pelo WhatsApp depois.
Como calcular o valor sem assessoria
Se o hospital usa uma tabela de referência, peça qual é antes de montar a proposta. A maioria ainda trabalha com a CBHPM ou com valores próprios baseados na TUSS. Para consultar o código e o valor de referência de um procedimento específico, você pode usar o Buscador de TUSS como ponto de partida gratuito.
Se o hospital paga por tabela própria, peça a tabela por escrito antes de assinar qualquer coisa. Valor combinado verbalmente não existe.
Modelo simplificado para usar agora
Abaixo, um modelo funcional. Adapte os campos e salve no bloco de notas ou em um Google Docs para reutilizar:
PROPOSTA DE HONORÁRIOS CIRÚRGICOS
Profissional: [Nome completo], CRM [número]/[UF], [especialidade] Documento: CPF [número] ou CNPJ [número]
Procedimento: [Nome do ato cirúrgico] Código de tabela: [Código TUSS ou CBHPM] Data prevista: [data] Local: [Hospital ou clínica]
Honorários propostos: R$ [valor] (valor fixo por ato cirúrgico) Prazo de pagamento: até [X] dias corridos após a realização do procedimento Forma de pagamento: PIX ou TED para [dado bancário]
Observações: Este documento não substitui contrato formal. Representa o acordo comercial entre as partes para o procedimento indicado.
Assinatura: [Seu nome] | Data: [data]
Peça uma confirmação por e-mail ou mensagem da parte responsável do hospital. Essa confirmação, mesmo informal, vale muito em uma disputa futura.
O erro mais comum: não registrar nada por escrito
Cirurgiões e anestesistas autônomos perdem dinheiro principalmente por informalidade, não por má-fé. O hospital não vai te ligar para corrigir um repasse baixo. Você vai precisar correr atrás, e sem documento, a conversa começa no zero.
Registrar o combinado antes da cirurgia é um hábito que leva cinco minutos e protege meses de produção.
Depois da proposta, vem o faturamento, e ele precisa de organização também
Proposta aprovada, cirurgia feita. Agora vem a nota fiscal, o rateio entre os membros da equipe e o controle de quando esse valor vai cair na sua conta. Sem sistema, isso volta para o WhatsApp e para as planilhas, e o ciclo de confusão se repete.
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